Devido a inércia do governo de Minas Gerais em atender as demandas do sistema socioeducativo, já expostas nesse espaço, e de conhecimento de todos, as unidades socioeducativas de todo Estado vão enfrentando sérios problemas que podem se agravar ainda mais, com a previsão de saída, só no mês de Janeiro, de mais de 100 agentes pelo término de contrato. Sem previsão de concurso público, e falta de efetivo, os problemas vão surgindo e dessa vez foi no centro socioeducativo Santa Terezinha, em Belo Horizonte.

Apenas no mês de janeiro já foram quatro motins no Centro Socioeducativo Santa Terezinha, com conflitos se estendendo de um plantão a outro, segundo servidores. Os fatos ocorreram nos dias 12, 16, 18 e 19, sendo o último iniciado na noite do dia 20 e controlado na madrugada do dia 21 e recomeçando de forma generalizada na manhã e tarde do mesmo dia, onde se fez necessário o uso de contenções em mais de 20 adolescentes e 14 direcionamentos para CIABH.

Os agentes tiveram apoio das unidades próximas ao centro, tendo em vista ao baixo efetivo que se encontra a unidade. Parabenizamos as equipes do CSE Horto, CSA Andradas, CEIP Dom Bosco, CEIP São Benedito em nome dos guerreiros do Santa Terezinha.

Além dos problemas que vem enfrentando, os agentes alegam a falta de comando e diálogo entre eles e os gestores. Não bastasse a falta de orientação e conversas, ainda depararam com a falta de limites dos infratores, que por diversas vezes querem amenizar as sanções, pedindo que a direção atenue suas responsabilidades. Fora as várias ameaças relatadas pelos agentes que nem sempre são devidamente encaminhadas aos procedimentos corretos, além dos arremessos de fezes e urinas, confecções de chuços, arma artesanal, pelos adolescentes acautelados.

Outro problema apontado pelos servidores, é que vem existindo negociações e barganhas entre a gestão e os adolescentes para que os mesmos não tragam problemas, mas pelo visto não tem funcionado devido aos vários tumultos ocorridos.

"Ficou evidente a necessidade de uma equipe de intervenção, uma escala de trabalho descente que atenda a extensão das ocorrências e o principal problema que a falta de servidores. Alguns REDS estão sendo confeccionados sem a presença dos envolvidos, não há como aparecer resultado dando muro em ponta de faca” relatou um agente da unidade.

Ele explicou ainda que com o retorno das aulas a segurança ficará ainda mais comprometida, pela dificuldade em conseguir provê segurança para os servidores administrativos.

O diretor de segurança da unidade informou que a SUASE, via DSS – Direção de segurança da SUASE e superintendência estão cientes de todos os questionamentos e fragilidades da unidade e que solicitou mais agentes, pois a unidade com o quantitativo de adolescentes teria que ter de 32 a 35 agentes por plantão, mas no geral não tem o dobro desses números.